Entrevista com a leiga Helena de Lima, que será missionária em Pemba, no Moçambique


Data da Postagem: 23 de Janeiro de 2018

2018-01-18-PHOTO-00000028

O Projeto de Ação Missionária e cooperação Intereclesial Pemba na África, mantido pelo Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) receberá mais uma missionária. Helena Pereira de Lima, da diocese de Guarulhos, SP. Ela conversou com a Assessoria de Imprensa do Regional Sul 1 antes de embarcar para a diocese de Pemba, e fala sobre sua expectativa a serviço da Igreja e missão na África.

Conte-nos um pouco sobre a senhora, sobre o seu trabalho na diocese de Guarulhos?

Me chamo Helena Pereira de Lima e sou leiga missionária, enviada pela Diocese de Guarulhos e pelo Regional Sul 1 para Pemba, no norte de Moçambique. Sou natural de Pernambuco. Moro em Guarulhos, SP. Atualmente continuo na equipe onde juntos fazemos um trabalho de animação missionária para líderes de grupos nas diversas regiões da diocese para a formação de COMIPA (Conselho Missionários Paroquial), grupos de visitação, grupos de rua, tudo isso para que esse trabalho seja estendido às paróquias. Trabalhei também na realização do segundo Congresso Missionário Diocesano. Atuei também nas missões populares nas diversas paróquias nas celebrações e vigílias missionárias entre outras atividades da diocese e também da sub-região SP2.

Como nasceu o seu despertar ao chamado missionário?

Nasceu nas participações dos encontros do regional COMIRE Sul1, onde ouvi e vi vários testemunhos de missionários com uma alegria que era contagiante. Também li vários artigos em revistas, sites, blogs missionários etc., conhecendo várias pessoas desta área missionária senti um desejo muito grande de fazer algo também. Sair. E saí. Fui a uma experiência missionária  marcante no Sertão da Bahia na cidade de Pilão Arcado, Diocese de Juazeiro,  atividade organizada pelo COMIDI e fui também fazer uma experiência em Porto Velho, Rondônia por 30 dias, também conheci outros projetos missionários na prelazia de Tefé, AM e também em Manaus, fiquei encantada com a realidade que a missão nos mostra.

Como você recebeu a notícia que iria para Pemba, na África? Qual foi a sensação?

Mantenho contato com um amigo e padre Salvador que já está lá em Pemba, sabendo do meu desejo em sair, ele me incentivando a ir para lá, mas eu sempre achava que era uma possibilidade muito distante. Então acertado com o bispo da diocese de Guarulhos, Dom Edmilson Caetano, fui para Brasília fazer o curso para missionários Ad Gentes, para ir para Amazônia o lugar ainda não sabia os bispos iam então entrar em contato e definirem o local mais acertado. Porém no decorrer do curso fui me encantando com experiências de missionários que voltaram da África, vídeos que mostraram a realidade daquele povo e isso foi me encantando. Foi aí que o Bispo de Pemba, Dom Luiz Fernando Lisboa passava para visitar o curso e falar com alguns que já iam para lá e me fez um convite muito convincente. Fiquei muito feliz com essa possibilidade. Mas só depois de uma conversa com os dois bispos decidimos que eu iria mudar de destino. Ia para a África! Fiquei realmente encantada com isso.

Quais as suas expectativas a respeito dessa missão na África?

As expectativas são muitas! Desenvolver um bom relacionamento com as pessoas sem interferir na cultura local; ser eu mesma no outro e com o outro; lidar com a saudade do que deixo para trás e ao mesmo tempo não esquecer.

Baseando-se na sua experiência pessoal e pastoral o que é “ser missionário/a hoje”?

Ser missionário para mim não é só sair em missão fronteira,  como se pensava antes, o missionário hoje é estar a serviço em diversas formas e circunstâncias, é ir ao encontro dos excluídos, os afastados, desenvolver as suas funções em qualquer que seja a pastoral com amor e dedicação e não ser apenas tarefeiros que fazem suas obrigações como: ir à missa, dar “aulas” de catequese, reuniões etc., mas ter um olhar voltado para a universalidade da missão que recebeu desde o seu batismo através da oração, do interesse com os outros missionários mundo afora. E uma forma concreta é ser generoso com as campanhas, particularmente do mês missionário. Acho que é uma forma de estar com eles sem ter que sair de sua comunidade é pelo menos tentar atender ao apelo do Papa Francisco, que vem falando em sair das paredes da igreja para que assim possamos ser uma “Igreja em saída”. Mas vale também lembrar aqui que Dom Hélder Câmara em um poema dizia: “Missão não é devorar quilômetros mas é parar de dar volta em torno de si mesmo”.

Sabemos que a senhora será enviada em missão para a  Diocese de Pemba, no final deste mês de janeiro, em Moçambique, na África, pelo Regional Sul 1 da CNBB, a senhora já sabe o trabalho que vai desenvolver naquela região?

Quando fui convidada para essa missão me foi dito que eu iria ajudar na organização da secretaria, dada a grande necessidade local e por eu ter uma certa experiência no trabalho que desenvolvi por mais de 15 anos na Paróquia onde resido e também ajudar nos diversos trabalhos pastorais.

Na sua opinião, quais os grandes desafios com que se deparam os/as missionários/as que partem em missão?

Imagino que os grandes desafios são os primeiros meses de adaptação. Isso em qualquer que seja a situação e local, cultural, alimentar etc. No meu caso. Como vou aprender a contribuir nessa função em realidades tão diferentes, pessoas, papéis, organizações, critérios e por aí vai.

A Igreja no Brasil está celebrando, o Ano do Laicato, sob o tema «Cristãos leigos e leigas, sujeitos, na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino. E o lema: Sal da terra e luz do mundo» (Mt 5, 13-14). Neste sentido, qual o significado de ser  leigo/a missionário/a na Igreja e na sociedade?

Eu como leiga acho que a Igreja do Brasil acertou em cheio em dedicar um ano de celebração do leigo e com esse tema e lema tão expressivos significa o reconhecimento da importância dos leigos e leigas na vida da igreja. E com esse reconhecimento leva ao despertar do leigo e da leiga para uma atividade constante dentro e fora da Igreja na sociedade como um todo, que precisa de pessoas comprometidas com a causa do Evangelho como instrumento na defesa de políticas públicas, nas causas sociais que favoreçam os mais necessitados. Acredito que se nós tivéssemos mais cristãos leigos no poder público nas diversas esferas, como conselhos municipais de saúde, conselhos tutelares, na política em geral, assim nossa sociedade não estaria em tão grande grau de desânimo, intolerância e indignação por conta de que estamos vendo. Porém para que isso aconteça é necessário que toda a Igreja, bispos, padres, diáconos, enfim todo povo de Deus acredite e assume esse trabalho de capacitação, formação, e orientação para que os leigos e leigas sejam verdadeiramente sujeitos mais conscientes, transformador de si mesmo e do outro.

Que conselhos daria, aos missionários/as leigos e leigas, sacerdotes e religiosos que estão de partida também nesta viagem à Africa?

Conselhos? Dou uma dica que acredito que aconteça: que nós missionários continuemos na comunhão através da oração, da comunicação e participação para que assim possamos partilhar as nossas experiências. Com certeza isso vai nos ajudar no fortalecimento mutuo de nossos trabalhos.

Entrevista concedida ao jornalista Renato Papis, do Regional Sul 1 da CNBB